
Integralização 03 de Junho de 2016
Voltando a falar da motivação para a prática de exercícios, como já citamos em textos anteriores, nos últimos anos a Teoria da Autodeterminação (TAD), tem sido utilizada como modelo teórico de suporte de diversos estudos, com aplicações em vários contextos, nomeadamente, no esporte, no exercício e na educação física. De acordo com os seus autores, esta teoria diz-nos que a motivação do sujeito não está diretamente relacionada com os factores do envolvimento social, uma vez que a influência destes (clima das aulas, comportamento dos professores) é mediada pela satisfação de três “componentes fundamentais”, ou seja, as necessidades psicológicas básicas de autonomia (capacidade de regular as suas próprias acções), competência (capacidade de eficácia na interação com o envolvimento) e relação (capacidade de procurar e desenvolver ligações e rela- ções interpessoais). São estas necessidades que vão determinar a regulação do comportamento do sujeito. A necessidade de autonomia, proposta pela teoria das necessidades psicológicas básicas, é fundamental para que se compreenda a qualidade de um comportamento. A autonomia refere-se ao desejo de poder reger o próprio comportamento, oportunizando um senso de independência nas escolhas. O comportamento é considerado autônomo quando os interesses, preferências e vontades guiam o processo de tomada de decisões sobre participar ou não de uma atividade em particular. A competência refere-se à necessidade de ter um efeito sobre o ambiente para alcançar os resultados desejados. A necessidade de competência é refletida no desejo do indivíduo de poder exercitar suas capacidades, buscar dominar os desafios em um nível ótimo e obter um feedback positivo. Complementando as necessidades psicológicas básicas de autonomia e competência, os teóricos da teoria da autodeterminação propõem uma terceira necessidade psicológica como essencial ao indivíduo, a necessidade de pertencer, também traduzida por “estabelecer vínculo”, “necessidade de relacionamento” ou, ainda, “necessidade de pertencimento”. Essa necessidade refere-se ao desejo de se sentir valorizado e ligado a um determinado grupo. Através de relacionamentos, os indivíduos recebem ajuda e desafios para realizar uma tarefa, apoio emocional em suas vidas diárias e companheirismo em atividades compartilhadas. Em suma, de acordo com Ryan e Deci, podemos considerar que a TAD é uma abordagem à motivação alicerçada numa meta teoria que realça a importância dos recursos próprios do ser humano na autoregulação do seu comportamento. Esta passa pela satisfação das necessidades psicológicas básicas de competência, autonomia e relação, pois são elas que estão na base do comportamento autodeterminado (regulação para formas mais intrinsecamente motivadas). Você tem suprido essas três necessidades para se manter motivado nas suas atividades? Se destaca em algum? Tem dificuldade em outro? Bibliografia: Murcia, J. A. M., Coll, D.G.C. (2006) A permanência de praticantes em programas aquáticos baseada na Teoria da Autodeterminação. Fitness & Performance, 5 (1) 5-10. Pires, A., Cid, L., Borrego, C., Alves, J., Silva, C. (2010) Validação preliminar de um questionário para avaliar as necessidades psicológicas básicas em educação Física. Motricidade, 6 (1), 33-51.